A dor no quadril durante agachamentos, corrida, giros ou movimentos profundos pode ter relação com uma condição chamada impacto femoroacetabular (FAI — Femoroacetabular Impingement).
Mas estudos recentes mostram que o problema não envolve apenas o quadril. A forma como a pelve e a coluna se movimentam também parece ter um papel importante nos sintomas.
Uma revisão científica recente analisou 41 estudos de 12 países, envolvendo 3750 pacientes, para entender como os parâmetros da pelve e da coluna influenciam o impacto femoroacetabular e seus sintomas.
O que é o impacto femoroacetabular?
O impacto femoroacetabular acontece quando há um contato anormal entre o fêmur e o acetábulo durante o movimento do quadril.
Os dois tipos mais comuns são:
Nem toda pessoa com essas alterações sente dor. Um dos principais objetivos do estudo foi justamente entender por que algumas pessoas desenvolvem sintomas e outras não.
O que a pesquisa encontrou?
Os pesquisadores avaliaram:
Os resultados mostraram que alterações dinâmicas — ou seja, relacionadas ao movimento — parecem ser mais importantes do que apenas medidas estáticas em exames de imagem.
A mobilidade da pelve pode influenciar os sintomas
Um dos achados mais importantes foi que pacientes com impacto tipo cam e sintomas apresentavam menor capacidade de fazer a retroversão da pelve durante movimentos como o agachamento profundo.
Na prática, isso significa que a pelve “gira menos para trás” durante a flexão do quadril.
Segundo o estudo, houve um déficit de aproximadamente 4 a 5 graus nesse movimento compensatório em pacientes sintomáticos.
Essa limitação pode aumentar o contato entre o fêmur e o acetábulo, favorecendo dor e impacto anterior no quadril.
O agachamento parece ser um movimento-chave
Diversos estudos analisados mostraram que pacientes com impacto femoroacetabular apresentavam:
Os autores sugerem que isso pode ajudar a explicar por que atividades como:
costumam reproduzir sintomas em algumas pessoas.
A postura da pelve também parece influenciar
O estudo encontrou tendências mostrando que pacientes com impacto femoroacetabular frequentemente apresentam:
Além disso, pacientes com sintomas relacionados ao tipo cam apresentaram associação com maior incidência pélvica, enquanto alterações do tipo pincer foram associadas a menor incidência pélvica.
O que isso muda no tratamento?
Talvez o ponto mais importante do estudo seja este:
👉 O controle muscular da pelve e da coluna pode ser um alvo importante da fisioterapia.
Os autores destacam que programas de reabilitação vêm focando em:
Outro dado interessante: um estudo citado na revisão mostrou que reduzir a inclinação anterior da pelve em 10° poderia aumentar a amplitude de movimento do quadril de forma comparável a uma cirurgia para correção do impacto tipo cam.
Movimento importa mais do que imagem isolada
Os autores concluem que avaliações dinâmicas parecem ser mais relevantes clinicamente do que apenas medidas estáticas em radiografias.
Ou seja:
👉 Não basta olhar somente para o formato do quadril.
É fundamental entender como aquela pessoa se move.
Conclusão
A ciência mais recente reforça que o impacto femoroacetabular envolve muito mais do que alterações ósseas isoladas.
A interação entre:
parece ter papel importante no desenvolvimento dos sintomas.
Por isso, uma avaliação completa e individualizada é essencial para definir o melhor tratamento conservador.
Na CineticsPhysio
Na CineticsPhysio, utilizamos avaliação funcional e análise de movimento para entender não apenas a estrutura do quadril, mas também como o corpo se adapta durante as atividades do dia a dia e do esporte.
O objetivo é construir um tratamento direcionado, baseado em evidência científica e focado em movimento, controle muscular e função.